O Gigantismo

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Antonio Delfim Netto

São poucas as coisas que efetivamente sabemos sobre os efeitos que produz um ajuste fiscal.

A primeira é que eles afetam sempre o nível do PIB e distribuem custos de forma desigual entre os trabalhadores, os empresários do setor real e os intermediários financeiros. Há dúvidas sobre com distribuir de maneira equânime os custos entre o salário dos (dos trabalhadores) e o lucro (das empresas) que produzem bens ou serviços não financeiros para dar ao ajuste alguma moralidade.

Quanto à intermediação financeira , não a a menor dúvida. Devido à forma pela qual subjugou o setor real da economia mundial, ela tende a aumentar a sua participação no PIB. A saga do ajuste dos Estados Unidos revela seu ao custo em termos de emprego e de salário real (a despeito de todo movimento Occupy), sua conseqüência na concentração de renda e, por fim, a sua brilhante salvação final. Não é possível esquecer, por outro lado, que ela foi a causa da crise…

A segunda é que “ajustes” fiscais são recorrentes o que mostra que eles não são terminais. Há vida depois deles, mas eles não são “Grátis”. Paga-se um preço a interrupção do nível de crescimento geral e uma redução do bem estar individual .

No Brasil, desde o império já fizemos dezenas “ajustes fiscais” , uns mais bem sucedidos que outros. De modo geral, nos últimos quase duzentos anos desde a Independência não nos saímos tão mal: Somos a 7º Economia do mundo em paridade do poder de compra e nos livramos de dois problemas que pareciam insolúveis, o controle da inflação , com o Plano Real (Itamar-FHC) e o pagamento da divida externa (lula), que nos acompanhava desde Pedro. 1º.

A terceira é que os “ajustes” mais bem sucedidos e de mais longa duração são os feitos com maior ênfase na redução das despesas e não no aumento de impostos, exatamente porque a transferência de recursos do setor mais eficiente (privado) para o menos eficiente o ( público) reduz, por efeito aritmético, a taxa do crescimento do PIB.

O Ajuste fiscal patrocinado pela presidente Dilma, parece razoável e realista.

Um Superávit primário de 1,2% do PIB, acompanhado por medidas que aumentem a produtividade geral da economia, parece de bom tamanho.

A dúvida é se um governo da dimensão apontada pelo competente jurista Cid Heraclito de Queiroz (38 ministérios, 128 autarquias, 34 fundações e 140 empresas estatais aparelhados por “companheiros” da coalizão) não deveria propor à sociedade uma reforma administrativa estrutural, acompanhada da reforma previdenciária , para dar maior credibilidade e efetividade ao “ajuste” a longo prazo.

Folha de São Paulo

O Ajuste fiscal

(…) A dúvida é se um governo da dimensão apontada pelo competente jurista Cid Heraclito de Queiroz (38 ministérios, 128 autarquias, 34 fundações e 140 empresas estatais aparelhados por “companheiros” da coalizão) não deveria propor à sociedade uma reforma administrativa estrutural, acompanhada da reforma previdenciária , para dar maior credibilidade e efetividade ao “ajuste” a longo prazo.

Antonio Delfim Netto

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