Em evento, Moro fala sobre o papel da sociedade no combate à corrupção

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No dia que a operação Lava Jato completou três anos, o juiz federal Sérgio Moro ministrou uma palestra para empresários no salão do Centro de Eventos em Maringá, no norte do Paraná. Moro fez uma retrospectiva da operação, que já tem 38 fases, e ainda falou sobre o papel da sociedade no combate à corrupção.

A Operação Lava Jato foi deflagrada no dia 17 de março de 2014, e as investigações resultaram em quase 200 prisões. É a maior operação de combate à corrupção no Brasil. Entre multas, indenizações e recursos mantidos no exterior, já foram recuperados mais de R$ 10 bilhões.

Mas, para o juiz, só as investigações e a punição dos envolvidos não são suficiente para acabar com a corrupção no país.

“O governo e o Congresso têm uma responsabilidade fundamental. É possível, por exemplo, aprovar novas leis que tornem o sistema de Justiça Criminal mais eficiente, mas não só isso. Leis que eliminem as oportunidades para a própria prática do crime de corrupção. Leis que habilitem os governados a controlar as ações dos seus governantes, como leis que estabeleçam regras claras em contratos públicos, transparência de informações e dados de qualquer atividade governamental”, disse Moro.

O juiz criticou a tentativa de se aprovar a criação de lei para anistiar alguns crimes que estão sendo investigados no âmbito da operação.

“Era uma anistia a crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro desde que realizados através de doações eleitorais registradas, ou não. Essa proposta, para a felicidade geral, se quer chegou a ser colocada para votação, ela foi sepultada. Mas, há um receio de que propostas como essa sejam reavivadas”, pontuou o juiz.

Durante a palestra, Sérgio Moro ainda chamou a atenção dos empresários para a responsabilidade do setor produtivo no combate a corrupção.

“O setor produtivo deve lutar por um ambiente limpo para os seus negócios, e para tanto, o setor privado tem muito para contribuir no enfrentamento da corrupção sistêmica. Afinal, a corrupção envolve quem paga e quem recebe, e ambos são igualmente culpados”, enfatizou o juiz responsável pela Lava Jato.

A palestra atraiu gente de várias cidades do Paraná e de outros estados.”Viemos de Vitória, no Espírito Santo, distante 1.560 quilômetros, pela admiração que temos pelo trabalho do juiz. Esperamos que o exemplo dessa operação fique eternamente”, diz o produtor rural Francisco Didier.

O juiz não cobrou pela palestra. Mas, a verba arrecada com ingressos será doada para a APAE de Maringá. A instituição vai utilizar os recursos para comprar um equipamento que vai reduzir custos com energia elétrica.

 

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