Vírus do atual surto de febre amarela tem mutação genética inédita, diz Fiocruz

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O vírus responsável pelo atual surto de febre amarela no Brasil tem variações genéticas inéditas, afirmaram pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Foram detectadas oito mutações na sequência genéticas, sendo sete delas associadas ao mecanismo de replicação viral. Não há registro anterior dessas mutações na literatura científica mundial, de acordo com a instituição.

Para a equipe de cientistas que participou da pesquisa, a vacina disponível no Brasil é eficaz contra os diferentes genótipos do vírus. Além disso, as alterações detectadas no estudo não fizeram com que o envelope do vírus, que é o que o anticorpo criado pela vacina reconhece, fosse afetado.

Os microrganismos analisados pertencem ao subtipo genético conhecido como linhagem Sul Americana 1E, que desde 2008 é predominante no Brasil.

Importância dos macacos

A descoberta se deu com a análise dos primeiros sequenciamentos completos do genoma do vírus, realizada a partir de amostras de macacos bugios do Espírito Santo, mortos em fevereiro deste ano. A análise de mosquitos, também coletados no Espírito Santo, e de um macaco morto no Rio de Janeiro, cujos dados não foram divulgados, também apontam os mesmos resultados, diz a instituição.

“Os bugios são especialmente importantes nas investigações sobre a febre amarela por serem considerados ‘sentinelas’. Como são muito vulneráveis ao vírus, estão entre os primeiros a morrer quando afetados pela doença. Além disso, esses animais amplificam eficientemente o vírus em seu organismo, favorecendo a infecção de mosquitos que habitam as matas e a disseminação da transmissão silvestre, na qual os seres humanos são infectados acidentalmente. Por isso, sua morte dispara um alerta para a possível presença do vírus em uma localidade”, afirma Ricardo Ricardo Lourenço, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do Instituto Oswaldo Cruz.

O estudo foi realizado por pesquisadores do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus e do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do Instituto Oswaldo Cruz e os resultados das análises foram divulgados na revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz.

Ainda há dúvidas sobre prevalência do vírus mutante

Sobre a relação da mutação genética com o atual surto de febre amarela que ocorre no país, os pesquisadores afirmam que novos estudos ainda devem ser feitos para que isso seja detalhado.

“Ainda não sabemos se esse vírus é predominante no atual surto”, afirma Lourenço. “Nesse momento, estamos buscando amostras de genoma do vírus da febre amarela oriundas de diferentes hospedeiros, incluindo seres humanos, macacos e mosquitos, e de diversificadas origens geográficas –especialmente no Sudeste do Brasil, onde a epidemia tem sido mais intensa– para compreender melhor esse fenômeno”.

Os resultados da pesquisa foram encaminhados pela presidência da Fiocruz ao Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis, do Ministério da Saúde, bem como à comunidade internacional, incluindo Itália, Estados Unidos e Inglaterra.

País vive surto de febre amarela

A febre amarela pode incluir sintomas como icterícia, febre alta e falhas de múltiplos órgãos. A doença, normalmente encontrada em partes da bacia Amazônica, infectou pessoas nos Estados mais populosos do país: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

De acordo com o Ministério da Saúde, foram notificados, no período de dezembro de 2016 até 17 de março de 2017, 1.561 casos suspeitos de febre amarela silvestre. Destes casos, 850 (54,8%) permanecem em investigação, ao passo que 448 (28,7%) foram confirmados.

 

 

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