JANOT SE EMOCIONA AO FALAR DE PRISÃO DE COLEGA E DIZ TER TIDO NÁUSEA COM GRAVAÇÃO DE JOESLEY

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O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se emocionou em entrevista concedida ao jornalista Roberto D’Avila, levada ao ar pela GloboNews na noite desta quarta-feira (5), ao falar da prisão do colega Ângelo Goulart Vilela, de quem é amigo. O também procurador foi acusado pelo empresário Joesley Batista, em delação premiada, de ter vazado informações de um inquérito da Operação Greenfield para a JBS e acabou detido preventivamente em 18 de maio pela Polícia Federal após pedido de Janot ao ministro do STF Edson Fachin.

Janot disse que havia pedido ao comando da PF que fosse avisado assim que entrassem na casa de Vilela e efetivassem a prisão. Ao ser informado, Janot disse ter vomitado quatro vezes. “Sou um sujeito experiente, e em 33 anos de Ministério Público pouca coisa me afetou assim de maneira tão contundente como essa.” Segundo ele, esse foi o dia mais difícil de seu exercício de quatro anos como procurador-geral.

Questionado por D’Avila sobre o que sentiu quando ouviu a gravação feita por Joesley, de conversa entre o próprio empresário e o presidente Michel Temer, o procurador-geral disse que também passou mal. “Eu fiquei chocado e senti náusea. Foi uma reação física. Fiquei enjoado mesmo.”

O procurador da República Ângelo Goulart, preso por supostamente vender informações a JBS, é amigo de Janot

Disse ainda que, ao contrário do que têm dito alguns juristas, de que a denúncia contra Temer é fraca, pesa sobre o presidente uma “narrativa fortíssima”.

“Uma denúncia que contenha a seguinte narrativa: um empresário, investigado em primeira instância por eventuais ilícitos praticados por ele, tem uma conversa, que ele grava, com um ex-deputado federal [Rodrigo Rocha Loures], acertando a ida dele à residência do presidente da República, à noite, sem testemunhas. Ele chega e não é sequer identificado na porta. O portão é aberto, ele entra, vai a uma sala que está na parte de baixo do palácio [Jaburu] e tem uma conversa muito pouco republicana com o presidente da República. E nessa conversa, o presidente indica como um interlocutor de confiança dele esse deputado federal com quem esse empresário já tinha acertado a ida dele ao palácio, porque os outros interlocutores estavam impedidos de continuar na interlocução. […] E ele se entrevista dias depois com esse interlocutor, acerta alguns atos ilícitos, o pagamento de propina com esse interlocutor, que depois, em uma ação controlada, é pilhado em São Paulo em uma mala contendo R$ 500 mil. […] Se isso é fraco, eu não sei o que seria forte.”

O procurador-geral negou que a gravação de Joesley tenha sido combinada de forma antecipada com o Ministério Público, dizendo que toda colaboração fica sujeita a anulação caso seja provocada pelo MP. Segundo ele, Joesley tomou a iniciativa de gravar a conversa com Temer para justamente ter subsídios que convencessem a Procuradoria a aceitar sua delação. “Eu não acredito em sã consciência que algum brasileiro iria acreditar em um sujeito que se apresenta para uma colaboração, que é investigado em primeiro grau por eventuais ilícitos e que diz assim: conversei com o presidente da República e nós acertamos um interlocutor para que pudesse acertar com esse interlocutor ilícitos. Eu não acreditaria nisso, acho que ninguém acreditaria. A partir do momento que ele mostra a gravação, aí sim”, disse Janot.

Novas denúncias contra Temer

O procurador-geral confirmou que outras duas denúncias podem vir a ser feitas contra o presidente Temer, sendo uma por obstrução da Justiça e outra por organização criminosa. Ambas as linhas de investigação estão em andamento, e cada uma, segundo ele, com seu tempo de maturação – estando a que trata de obstrução mais adiantada. “Ao final das investigações, o resultado será a denúncia ou o arquivamento.”

Ele negou que tenha havido o chamado “fatiamento” dos processos como forma de constranger ainda mais o presidente. “São três fatos distintos. As denúncias teriam que vir separadamente mesmo”, disse Janot, explicando que o desfecho do inquérito que levou à denúncia de Temer por corrupção saiu antes das demais pelo fato de que havia um réu preso – o ex-deputado federal Rocha Loures. Em casos assim, a lei determina que o inquérito seja encerrado em dez dias e a denúncia oferecida em cinco dias. “Por isso, a denúncia teve que sair no prazo da lei. As outras, a gente tem um pouco mais de prazo para desenvolver.”

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