Carmen Lúcia critica “raiva” na política e diz que país tem de voltar a ser “pátria mãe gentil”

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A presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Carmen Lúcia, afirmou nesta sexta-feira (27) que tem refletido a respeito da polarização no atual cenário político do país. Em palestra para empresários, no Rio de Janeiro, a ministra disse ter observado manifestações que “parecem ser raiva” e que é “difícil ser um povo quando nos colocamos uns contra os outros e não contra as ideias dos outros”.
Carmen Lúcia declarou que o acirramento no debate político no país vem resultando em desunião e “falta de gentileza”. Na visão dela, a sociedade experimenta “tempos mais amargos, difíceis e desafiadores”. “Basta ter olhos para ver que estamos vivendo não uma pátria mãe gentil”, comentou. “É preciso que essa pátria retorne a ser uma mãe gentil para todos.”
A presidente do STF afirmou ainda que o país deve preservar o Estado Democrático de Direito, que, segundo ela, “não é proposta, sugestão ou aviso”. “É norma. Está na Constituição, é lei e lei é para ser cumprida.”
A ministra observou que desafios ao cumprimento de decisões judiciais podem levar o país a distorções no regime democrático, onde existiria espaço para “cogitar um sistema caótico social” e “as consequências são extremamente graves”.
Após se dirigir ao público presente na ACRJ (Associação Comercial do Rio de Janeiro), ela pediu desculpas e informou que tinha de voltar a Brasília, já que está no exercício da Presidência da República em razão das viagens do presidente Michel Temer (MDB) e dos chefes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (MDB-CE), respectivamente.
A presidente do STF optou por não conceder entrevistas à imprensa. Durante o discurso, ela não abordou pontos polêmicos, como o pedido de reajuste salarial por parte de um grupo de juízes e integrantes do Ministério Público. O pleito foi apresentado a Carmen Lúcia em uma reunião no Palácio do Planalto, na quarta-feira (25).
A palestra da chefe da Corte se resumiu a reflexões sobre o Judiciário brasileiro e, de forma mais ampla, à necessidade de garantir o funcionamento das instituições. Ela disse que a Justiça é passível de críticas, mas ressaltou que “a função de julgar não é fácil”, e sim “necessária”.
“A culpa da corrupção não é do juiz. A culpa do crime não é do juiz. O juiz tem o dever constitucional, segundo a lei. Sempre segundo a lei.” “Não é fácil mudar estruturas culturalmente indolentes”, completou.

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