Forças Armadas encontram ‘bunker’ usado pelo tráfico no Morro da Babilônia

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Militares das Forças Armadas realizaram operação nas comunidades do Leme, na Zona Sul do Rio, nesta quinta-feira, e localizaram um “bunker” usado por traficantes na encosta do Morro da Babilônia. A casamata, atrás do Forte Duque de Caxias, do Exército, era usado para esconder armas e munição. Na ação, dois homens foram presos em flagrante, e uma pistola, carregadores da arma e também de fuzil, encontrados na mata, assim como restos mortais de uma pessoa, que serão analisados.

O espaço, onde foram encontrados materiais não revelados, pertenceu ao Forte Duque de Caxias na época em que ela fazia parte do sistema de artilharia de defesa do litoral, mas hoje está fora do perímetro do Exército. Existe a possibilidade de o local passar a ser novamente de responsabilidade das Forças Armadas.

Também foram apreendidos 150 projéteis de fuzil e 15 de pistola, além de três coletes à prova de balas, um caderno de anotações dos traficantes, um radiotransmissor e três bombas de fabricação caseira.

Cerca de 2 mil homens de forças de segurança realizaram, desde o fim da madrugada desta quinta-feira, uma operação nas comunidades da Babilônia e Chapéu Mangueira. Segundo o Comando Conjunto da Intervenção na Segurança do estado, trata-se de uma ação ostensiva, que reunia a Polícia Militar, a Marinha, a Aeronáutica e o Corpo de Bombeiros. Os agentes fizeram cerco, remoção de barricadas, além de revistas de pessoas e de veículos, bem como a checagem de antecedentes criminais.

Os militares vasculharam a mata que corta as comunidades, no trecho entre o Leme e o bairro da Urca, procurando corpos que possam existir de pessoas assassinadas durante a guerra de facções que disputam os morros da Babilônia e Chapéu Mangueira, além de armas escondidas por traficantes.

Cerca de 100 homens do Exército estiveram na Pedra do Urubu, atrás do Chapéu Mangueira, ponto estratégico usado pelos criminosos e que dá vista para toda a região do Leme e de parte de Copacabana. Na trilha que dá acesso ao local, militares encontraram cabanas improvisadas usadas pelos bandidos que se abrigaram na mata.

Moradores que descem a pé, motoristas de carros e pessoas em garupas de mototáxi estão sendo parados pelos militares para realização de revista e checagem de documentos.

Há 30 anos no Chapéu Mangueira, um idoso disse que nos últimos seis meses os tiroteios se tornaram diários, mas hoje o dia amanheceu tranquilo. “A situação está insustentável, um inferno. A qualquer hora do dia, da noite, tinha tiroteio. Hoje consegui acordar sem o meu despertador, que são os tiros”, falou.

Uma moradora de um prédio que dá para uma das comunidades também disse que não ouviu tiro hoje. “Há muito tempo não acordamos com paz, gostei muito dessa operação”, disse a aposentada.

O DIA