Marcos Valério fecha delação premiada

mmarcos-valerio-20160818-001-1

Por envolver políticos no exercício do mandato, o acordo ainda depende da homologação do Supremo Tribunal Federal

Conhecido como um dos operadores do mensalão, Marcos Valério fechou um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal. Conforme conta o jornal O Globo, o acordo ainda depende da homologação do Supremo Tribunal Federal, por envolver políticos com foro privilegiado, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), e ocorre após uma primeira proposta ter sido rejeitada pelo Ministério Público Federal de Minas Gerais.

O operador do mensalão cumpria pena na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), e foi transferido para uma unidade da Associação de Proteção e Assistência a Condenados, em Sete Lagoas. Na decisão que autorizou a operação, o juiz Wagner Oliveira Cavalieri escreveu que a medida teve como objetivo “concluir procedimento de colaboração premiada sob análise do Supremo Tribunal Federal”.

A transferência era solicitada pelos advogados de Valério desde o ano passado, mas a unidade não contava com vagas disponíveis. Em seu despacho, o magistrado defende que, “em que pese a existência de formalidades e fila para a transferência de presos para o sistema Apac”, neste caso específico, “o interesse público se sobrepõe aos interesses individuais”. A alegação do juiz diz respeito às expectativas de que Valério “é possuidor de inúmeras informações de interesse da Justiça e sociedade brasileiras”.

COMO “TRAIÇÃO” DE JOESLEY EMPURROU FUNARO A FAZER DELAÇÃO

funaro-joesley-1500061489939_615x300

Repleta de detalhes, a colaboração premiada do executivo da J&F Joesley Batista não causou estragos apenas pelas informações que revelou, mas também por ter levado o empresário Lúcio Funaro, apontado como um dos principais operadores financeiros do PMDB, a aderir, ele mesmo, à delação.

Pessoas próximas às investigações da Operação Lava Jato e a Funaro dizem que o acordo de Joesley Batista foi visto pelo corretor como uma “traição” do empresário. O empurrão que ele precisava para delatar, como seus defensores afirmam, “de A a Z” as propinas que operou para “caciques do PMDB” e os benefícios obtidos por empresas.

Desde o seu início, a Operação Lava Jato foi responsável pela homologação de 151 acordos de delação premiada. O princípio desses acordos é o de que os envolvidos tragam à tona atividades ilícitas praticadas por eles em troca de benefícios –a redução de penas, por exemplo. Ao revelar seus crimes, o envolvido deverá, é claro, “trair” a confiança de seus parceiros e contar detalhes sobre os esquemas.

Nem sempre essas “traições” envolvem laços pessoais, mas no caso da delação de Joesley, que revelou pagamentos feitos a Funaro para que ele não delatasse, as informações repassadas pelo empresário à Justiça teriam quebrado uma relação que era bem próxima.

Fontes ouvidas pelo UOL afirmaram que a “traição” de Joesley deixou Funaro irritado e o impulsionou a procurar os procuradores federais na tentativa de firmar um acordo de colaboração com as autoridades.

Relação pessoal e profissional

Para entender como a delação de Joesley jogou Funaro no “colo” dos procuradores da Operação Lava Jato, é preciso saber que os dois não eram apenas parceiros comerciais.

Os depoimentos prestados por Funaro à PF (Polícia Federal), a delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Fábio Cleto e informações coletadas pela reportagem junto a pessoas próximas a Funaro indicam que ele e Joesley mantinham um estreito relacionamento pessoal e profissional. “Não dá para dizer que eram amigos, mas não era apenas negócios. Eles tinham um convívio social. As relações eram mais complexas que isso”, afirma uma pessoa próxima a Funaro.

O início dessa relação ainda é controverso. Em entrevistas, Joesley afirma ter conhecido Funaro em 2009, durante as negociações para a compra do frigorífico Bertin. Funaro, no entanto, disse à PF que conheceu o empresário apenas em 2011.

Independentemente do início exato desse relacionamento, o fato é que a ligação entre os dois era próxima. Ao depor, Funaro deixa isso claro: “Que teve uma relação muito próxima com Joesley Batista tanto no campo social quanto no campo negocial”, diz em um trecho.

Joesley Batista liderou o processo de delação premiada de executivos da J&F

Uma prova disso foi a viagem que Joesley, Cleto e Funaro fizeram juntos da Grécia à ilha de São Bartolomeu, território francês no Caribe. O percurso, feito no avião privado de Joesley, foi narrado por Cleto em sua delação premiada e confirmado por Joesley.

A mistura entre negócios e vida pessoal era constante. Em outro depoimento, Funaro conta que a relação entre os dois era tão próxima que Joesley chegou a levar sua mulher, a jornalista e apresentadora Ticiana Villas-Boas, até a sua casa, em São Paulo, em 2015.

Na visita, Joesley teria pedido a Funaro que intercedesse junto ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que tinha influência sobre diretorias da Caixa Econômica Federal, para que ele agilizasse a liberação de R$ 2,7 bilhões para a compra da empresa Alpargatas.

Funaro está preso desde julho de 2016. Ele é suspeito de ser um dos principais operadores financeiros do PMDB e de ter recebido e intermediado pagamentos de propinas do esquema que liberava financiamentos do FI-FGTS, administrado pela Caixa Econômica Federal.

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), Funaro atuava junto a Geddel e ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que também está em negociação para aderir a uma delação premiada. Ambos negam envolvimento no caso.

Funaro diz que Joesley levou sua mulher, Ticiana Villas Boas, à sua casa para discutir detalhes de empréstimo com a Caixa Econômica no valor de R$ 2,7 bilhões

Impulso à delação

Uma pessoa ligada a Funaro disse que a delação de Joesley foi o “empurrão” que o operador do PMDB precisava para aderir à delação premiada.

“A relação desses caras não é apenas comercial. As esposas deles se conheciam. Eles iam um na casa do outro. Quando a delação do Joesley veio a público, o Funaro viu que não adiantava mais ficar quieto. Não tinha mais motivos para manter lealdade ou coisa do tipo”, contou.

Em um de seus depoimentos, Funaro revelou que sua família recebeu repasses entre R$ 400 mil e R$ 600 mil oriundos da JBS e relativos aos serviços lícitos e ilícitos prestados por ele ao grupo. Quando viu sua irmã, Roberta Funaro, ser presa pela PF durante a deflagração da Operação Patmos, em maio, Funaro ficou desesperado.

“Aquilo mexeu muito com ele. Não foi apenas uma traição negocial. Foi pessoal”, disse.

Outra pessoa que acompanhou as idas e vindas de Funaro disse que a hesitação do empresário em delatar soava incompreensível.

“Ele vinha, dizia que ia delatar, e depois voltava atrás. Ele chegou a minutar alguns termos, mas mudou de ideia e tudo voltou à estaca zero. A gente não entendia o que acontecia. Só depois da delação do Joesley é que a gente entendeu. Foi a traição do Joesley que levou o Funaro a mudar de ideia”, contou.

Um investigador ligado ao caso disse, porém, que, além da “traição” de Joesley, outro fator para Funaro mudar de ideia foram os documentos encontrados pela PF durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão durante a Operação Patmos, deflagrada logo após a delação de Joesley vir à tona. Segundo o investigador, teriam sido localizados documentos ligando Funaro a alguns de seus principais clientes.

Cronologia da delação

A narrativa apresentada pelas fontes ouvidas pela reportagem do UOL coincidem com a trajetória de Funaro rumo à delação.

Até a divulgação da delação de Joesley, Funaro, que está preso desde julho de 2016, hesitava entre se manter em silêncio ou delatar. As revelações feitas pelo empresário da J&F vieram à tona no dia 17 de maio de 2017.

Pouco mais de duas semanas depois, Funaro prestou um depoimento no qual ele revelou parte de suas ligações com o grupo J&F e com a cúpula do PMDB. Em outro depoimento, no dia 14 de junho, Funaro deu ainda mais detalhes sobre os negócios lícitos e ilícitos feitos por ele com o grupo.

Em seguida, Funaro contratou o escritório do advogado Antonio Figueiredo Basto, especializado em delações premiadas. A partir daí, o empresário e seus advogados passaram a se reunir constantemente com procuradores da República para iniciar as negociações da colaboração.

Após a delação de Joesley, Funaro contratou o advogado Antonio Figueiredo Basto

O potencial destrutivo da delação de Funaro é temido no meio político, sobretudo no PMDB da Câmara. Em depoimentos prestados fora da delação que ele ainda negocia com a PGR (Procuradoria-Geral da República), Funaro disse, por exemplo, que entregava malas de dinheiro para Geddel Vieira Lima, que arrecadou mais de R$ 100 milhões para campanhas do PMDB e que Temer tinha conhecimento dos esquemas de corrupção que abasteciam os caixas do partido.

Foi com base nesses depoimentos que Geddel Vieira Lima foi preso há duas semanas, sob suspeita de prática de obstrução de Justiça. Na última quarta-feira (12), porém, a Justiça Federal colocou Geddel em prisão domiciliar. Atualmente, ele cumpre pena na Bahia.

A defesa de Geddel disse que as informações repassadas por Funaro já são de conhecimento da Justiça Federal. A defesa de Temer nega as acusações.

Ainda não há informações sobre quando a delação de Funaro será homologada.

Outro lado

À reportagem do UOL, o advogado de Lúcio Funaro, Bruno Espiñeira, disse que não irá comentar o processo de delação premiada de seu cliente. A reportagem também fez ligações telefônicas ao advogado Antonio Figueiredo Basto, responsável pela delação premiada do empresário, mas ele não atendeu às chamadas.

Por e-mail, a assessoria de imprensa da J&F enviou uma nota informando que “o acordo de colaboração assinado se pautou pela impessoalidade, no estrito objetivo de narrar crimes e citar as pessoas neles envolvidos” e que “Joesley Batista mantém e manterá seu fiel compromisso com a verdade independentemente das pessoas envolvidas”.

A reportagem enviou mensagens e fez ligações à assessoria de imprensa do PMDB para obter um posicionamento sobre as alegações de Funaro, mas até o fechamento desta matéria, as mensagens e ligações não haviam sido atendidas.

MPF RECORRE DE SENTENÇA QUE CONDENOU LULA NA LAVA JATO

deltan

Procuradores, que já haviam informado que pediriam aumento da pena do petista, ainda não apresentaram argumentos. Moro deve abrir prazo para alegações

O Ministério Público Federal apresentou, nesta segunda-feira, apelação contra a sentença do juiz federal Sergio Moro que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. No documento remetido à 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná, os investigadores pedem que a decisão de Moro seja enviada a eles oficialmente e que o magistrado abra um prazo para que apresentem as alegações.

No mesmo dia em que o veredito foi publicado, na semana passada, os procuradores da Lava Jato já haviam anunciado que pediriam aumento da pena a Lula e os outros réus ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), ao qual cabe revisar as decisões do magistrado em segunda instância. “A força-tarefa informa que vai recorrer da sentença, manifestando a sua discordância em relação a alguns pontos da decisão, inclusive para aumentar as penas”, escreveu o grupo, coordenado pelo procurador da República Deltan Dallagnol.

Os argumentos utilizados pelo MPF para pedir que as penas sejam aumentadas serão apresentados após o recebimento da sentença, dentro do prazo a ser estipulado por Sergio Moro.

MORRE, NO INTERIOR DE MINAS, A MÃE DE JOSÉ DIRCEU

EfeitoEspecial_com-18945110164-17204655

O juiz Sérgio Moro autorizou o ex-ministro a ficar alguns dias com a mãe

A mãe do ex-ministro José Dirceu, Olga Guedes da Silva, morreu aos 94 anos na madrugada desta segunda-feira (17). Segundo nota de pesar divulgada pela Secretaria Nacional LGBT do PT, Olga morreu na cidade de Passa Quatro, em Minas Gerais, onde morava. A nota não divulgou o motivo da morte, mas a mãe do ex-ministro petista já estava com estado de saúde agravado.

Dirceu estava há alguns dias na cidade, e, no último sábado (15), o juiz federal Sérgio Moro autorizou sua permanência por mais uma semana para ficar com a mãe, após pedido da defesa. Dirceu cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica em Brasília.

“A Secretaria Nacional LGBT do PT envia nossos sentimentos de pesar ao Companheiro José Dirceu pelo falecimento de Dona Olga, sua mãe. Nossa solidariedade à família e aos amigos. Abraços da Militância LGBT”, diz a nota.

 

‘PROVAS’ DE PALOCCI PODEM COMPLICAR REDE GLOBO EM DELAÇÃO PREMIADA

150029452089790

‘Provas’ de Palocci podem complicar Rede Globo em delação premiada

Ex-ministro do governo Lula pode apresentar anexos que envolvem a maior emissora do país, se confirmado um acordo de colaboração premiada.

O ex-ministro da Fazenda do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Antônio Palocci, encontra-se preso nas dependências da Polícia Federal, no Paraná, através de prisão preventiva, cuja determinação foi ordenada pelo juiz federal Sérgio Moro, titular da Operação Lava Jato, a partir da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba. A situação do ex-ministro petista poderia se complicar ainda mais perante a Justiça, se ele não tentasse a implementação de um acordo de colaboração premiada junto à força-tarefa de investigação da Operação #Lava Jato.

Entretanto, após ter sido condenado pelo juiz Sérgio Moro, a partir da primeira instância, a mais de 12 anos de prisão por lavagem de dinheiro e crimes relativos à #Corrupção, Palocci resolveu deflagrar as tratativas para que pudesse selar um acordo de colaboração premiada.

‘Provas’ contra a Rede Globo

Durante as negociações para a implementação do acordo de delação premiada, Palocci prometeu entregar anexos ou documentação, que pode culminar num envolvimento direto das Organizações Globo em problemas relativos às questões fiscais da maior emissora do país, já que, estando prestes a fechar o acordo, o ex-ministro poderia apresentar provas sobre a situação fiscal e tributária da emissora de Roberto Marinho.

Outro fator que pode contribuir para que seja realmente “fechado” o acordo de colaboração do ex-ministro é a sustentação de que seu sucessor no Ministério da Fazenda da ex-presidente Dilma Rousseff, Guido Mantega, chegou a constituir uma espécie de “central de vendas de informações”, relacionadas ao setor financeiro, durante as administrações dos governos petistas de Lula e Dilma.

A sede para que essas atividades ilícitas fossem concretizadas é o local onde está o Ministério da Fazenda, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Palocci foi ainda mais longe ao revelar que Guido Mantega estaria implicado em um provável esquema de informações privilegiadas. De acordo com as afirmações de Antônio Palocci, nas suas tratativas para o acordo de colaboração premiada, Mantega teria atuado de modo que antecipasse dados refentes a juros, além de interesses por parte de bancos, em relação à edição de medidas provisórias, sendo que tudo se concretizaria, a partir de troca de apoio ao PT.

Ex-ministro Mantega se defende

O ex-ministro petista Guido Mantega se manifestou, por meio de sua defesa, a respeito das acusações do ex-ministro Antônio Palocci. Segundo os defensores de Mantega, causa “muita estranheza” a informação de que Palocci pretenda envolvê-lo em um suposto esquema criminoso, com base na sua relação com bancos ou entidades financeiras, a partir de um acordo de delação premiada. #TV Globo

Vídeo

A HORA DA FAXINA ESTÁ CHEGANDO

28158

A classe política está disposta a sacrificar a esperança dos brasileiros para poder sobreviver e continuar com seu modo ilegal de fazer política. Essa é a mensagem que a Câmara dos Deputados presidida por Rodrigo Maia está passando para a sociedade brasileira.
Não é mais hora de luvas de pelica, mas sim luvas de boxe. É preciso lutar para vencer o conformismo que se transformou nossa política. Há quanto tempo somos forçados a votar no “menos pior”? Temos tido uma sequência de péssimos prefeitos, sofríveis deputados, indiciados senadores e questionáveis presidentes. Ainda assim pensamos que outro “menos pior” pode corrigir aquilo que o anterior “menos pior” nos deixou de herança.
Frequentemente leio aqui no Facebook pessoas me dizendo que melhor Temer que a volta do PT. Só não entendo como chegaram à conclusão que o PT volta simplesmente porque Temer cai. Aqui me fica a impressão que novamente preferimos ver o mundo em branco ou preto, bom ou mau, Deus ou Diabo, pior ou menos pior.
O mundo é mais complexo que isso, felizmente. Podemos pensar em ter esperança em ter uma política que empolgue pelas ideias, pelo exemplo e pela honestidade. A única coisa que impede isso é a maneira como a classe política mantém a nós, a população, alienada da verdadeira política. E quando tentamos, como no caso das 10 Medidas contra a Corrupção, projeto com mais de 2 milhões e 300 mil assinaturas, os políticos se reúnem de madrugada para enterrar nossas esperanças.
Agora enterram a denúncia de corrupção de um presidente em pleno mandato. VERGONHOSO .
Está na hora de acreditar que há mais que Lula, Temer e afins na política brasileira. E também de afastarmos todas essas lideranças nefastas que tomaram conta dos partidos e da política e impedem pessoas boas de participar efetivamente do debate. 2018 está chegando. É hora de fazermos uma faxina definitiva no país.

Carlos Fernando dos Santos Lima

ESPALHADA PELO BRASIL, LAVA JATO DEVE SOBREVIVER A CORTES EM CURITIBA, DIZ ANALISTA

BBDVvmd.img

O anúncio de que a Polícia Federal (PF) fechará seu grupo de trabalho dedicado à Lava Jato em Curitiba gerou críticas entre pessoas que acompanham a força-tarefa e citam possíveis prejuízos às investigações na cidade onde a operação se originou.

Já a PF minimizou o impacto da medida, afirmando que a Lava Jato está cada vez menos centralizada em Curitiba e que a decisão visa priorizar as investigações de maior dano aos cofres públicos.

Em nota enviada à BBC Brasil na quinta, a PF afirmou que os agentes dos grupos dedicados à Lava Jato e à Operação Carne Fraca serão transferidos para a Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (Delecor).

Para José Matias-Pereira, professor de administração pública da Universidade de Brasília (UnB), a decisão é ruim para operação.

Ele afirma que a PF tem um trabalho “extremamente relevante para a Lava Jato” e forma com o Ministério Público Federal e a Justiça de primeira instância o “tripé que sustenta operação”.

Segundo ele, a equipe em Curitiba não só atuava em investigações cruciais mas também “detinha uma espécie de memória do funcionamento da operação”.

Matias-Pereira afirma que o grupo de trabalho já vinha sofrendo um “esvaziamento” há cerca de um ano. Ele diz que, quando a Lava Jato vivia seu auge, a unidade chegou a ter nove ou dez delegados, mas que nos últimos meses só restavam quatro.

‘Dimensão própria’

Segundo o professor, a decisão de extinguir o grupo pode estar ligada a pressões políticas que a PF sofre por estar investigando várias altas autoridades na Lava Jato. “Imaginar que um sistema político que está corrompido vai jogar a toalha e se entregar é ilusão.”

Mas ele afirma que a decisão não compromete a operação, que tem perdido o vínculo estreito com Curitiba à medida que se expande para outros Estados.

“Hoje toda a estrutura da Polícia Federal – e principalmente nesses Estados onde houve uma contaminação maior de ações de corrupção – está envolvida na Lava Jato”, afirma o professor. Segundo ele, “o funcionamento das engrenagens do sistema de investigação, denúncia e condenações já ganhou uma dimensão própria”.

No Rio de Janeiro, por exemplo, investigações derivadas da Lava Jato levaram à prisão o ex-governador Sérgio Cabral e o empresário Eike Batista. No Distrito Federal, os ex-governadores Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda também foram presos em ações ligadas à operação.

A Lava Jato também tem dado grande ênfase à investigação de ministros e congressistas em Brasília.

Falta de recursos

Para o ex-subprocurador-geral da República Celso Roberto da Cunha Lima, a extinção do grupo de trabalho pode estar mais ligada à falta de dinheiro que a pressões políticas.

Ele lembra que, nos últimos dias, a PF suspendeu a emissão de passaportes alegando falta de recursos.

Cunha afirma que a o trabalho do órgão é essencial para a qualidade das acusações apresentadas à Justiça pelo Ministério Público.

Segundo o ex-procurador, a PF conta com profissionais preparados e emprega técnicas sofisticadas nas investigações.

Se o órgão passar a colaborar menos com a operação, ele diz que o Ministério Público poderá ter de assumir parte das funções dos policiais.

“O pessoal vai ter que se sacrificar. Algumas ações dependeriam de autorização judicial, mas o trabalho vai dobrar.”

Mais eficiência

Já a Polícia Federal afirmou que a extinção do grupo de trabalho não prejudicará as investigações.

Em nota enviada à BBC Brasil, o órgão diz que a decisão “visa priorizar ainda mais as investigações de maior potencial de dano ao erário, uma vez que permite o aumento do efetivo especializado no combate à corrupção e lavagem de dinheiro e facilita o intercâmbio de informações”.

A instituição diz que, com o trabalho sendo transferido para a Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (Delecor), a carga dos delegados envolvidos na Lava Jato será reduzida, pois poderão dividir as atividades com mais autoridades.

A PF afirma que a decisão de integrar as investigações foi tomada pelo delegado regional do Paraná, Igor Romário de Paula.

Ainda segundo a corporação, o “modelo é o mesmo adotado nas demais superintendências da PF com resultados altamente satisfatórios, como são exemplos as operações oriundas da Lava Jato deflagradas pelas unidades do Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo”.

“O atual efetivo na Superintendência Regional no Paraná está adequado à demanda e será reforçado em caso de necessidade”, diz o órgão.

A PF afirmou ainda que “as investigações decorrentes da Operação Lava Jato não se concentram somente em Curitiba, mas compreendem o Distrito Federal e outros 16 Estados”.