PF VÊ ‘ESTRANHEZA’ EM LIGAÇÃO DE MINISTÉRIO DA JUSTIÇA A IRMÃO DE GEDDEL

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A Polícia Federal encontrou registros de ligações de dois ministros de Michel Temer e de uma funcionária do Ministério da Justiça para o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel Vieira Lima, no mesmo dia em que o ministro Edson Fachin assinou um mandado de busca e apreensão para serem realizadas no gabinete do parlamentar.

Os telefonemas estão anotados em uma agenda do peemedebista.

As ligações, realizadas no dia 11 de outubro, foram de Eliseu Padilha (Casa Civil), às 11h30, e de Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), às 14h22.

No documento, a PF diz que a ligação da funcionária do Ministério da Justiça “apresentou estranheza por parte dessa equipe investigativa”.

Segundo o registro feito com caneta na agenda, o telefonema, que ocorreu às 11h53, teria sido com o intuito de confirmar o dia de aniversário de Lúcio Vieira Lima.

O mandado, assinado em 11 de outubro por Fachin, foi cumprido no dia 16 de outubro.

“Destaca-se que o gabinete recebeu ligações de ‘Karla Cristina’, atrelada ao Ministério da Justiça, com a observação de que a ligação foi efetuada no intuito de se confirmar o aniversário do Parlamentar”, informa o relatório da polícia.

“Tal ligação apresentou estranheza por parte dessa equipe investigativa, uma vez que o deputado é pessoa pública, sendo a data do seu aniversário (19 de novembro) de conhecimento notório e facilmente encontrado em sites de busca na internet, bem como por tal fato não possuir qualquer relevância ou relação com as atividades fins do referido ministério”, acrescenta.

De fato a data de aniversário do deputado é pública e está disponível em sua biografia no site da Câmara.

O documento da PF, enviado ao Supremo, é parte da análise de material apreendido no dia da busca no gabinete do deputado.

Procurados pela Folha, Padilha e Moreira Franco afirmaram que ligam diariamente para deputados.

“Ele é um dos ministros que tem a responsabilidade de fazer a articulação política do governo”, escreveu a assessoria do ministro da Casa Civil.

O Ministério da Justiça, por meio da assessoria de imprensa, disse que a funcionária que fez a ligação cuida da agenda do ministro Torquato Jardim “e que o trabalho dela é de checar informações desse tipo, como data de nascimento de autoridades e parlamentares”.

O advogado do parlamentar não atendeu às ligações.

A agenda apreendida pela PF guarda registros de ligações feitas e recebidas de 16 de janeiro de 2017 até 13 de outubro, poucos dias antes da operação no gabinete do deputado.

O relatório da polícia destacou outros telefonemas do parlamentar “com indivíduos já citados em outras investigações da Operação Lava-Jato” com “o intuito de embasar investigações pretéritas e futuras”.

Há ligações do ministro do STF Gilmar Mendes, no fim de maio, do presidente do Senado, Eunício Oliveira, e do senador Romero Jucá (PMDB-RR), entre outros.

O nome de Eliseu Padilha aparece apenas uma vez mais. Já o nome de Moreira Franco não apareceu.

Em contato com a reportagem, a assessoria de Gilmar disse que ele e seus assessores “acompanharam intensamente os trabalhos da reforma política e eleitoral no Congresso” e que “sendo assim, eram comuns os contatos e reuniões com os parlamentares, inclusive com o deputado Lúcio Vieira Lima, então presidente da comissão da reforma política”.

Folha de S.Paulo

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