PGR vai analisar fala de Gleisi sobre Lula para Al-Jazeera

20180418234200304633o

A Secretaria Penal da PGR (Procuradoria Geral da República) abriu procedimento para analisar se vai ou não investigar as declarações da presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann, para a emissora de televisão árabe Al-Jazeera (veja o vídeo no final da matéria). Foi instaurada uma “notícia de fato”, um primeiro passo para que essa averigue uma denúncia. Nessa etapa, são colhidas informações preliminares para, depois, deliberar sobre uma eventual instauração de procedimento investigatório.

Ao longo da quarta-feira (18), dia em que a gravação foi divulgada, a secretaria recebeu reclamações de cidadãos e do deputado federal Major Olímpio (PSL-SP) contra Gleisi. O parlamentar usou como argumento no ofício à PGR a Lei de Segurança Nacional e disse que a senadora atentou contra a soberania nacional.

No vídeo divulgado pela emissora árabe, Gleisi diz que Lula seria um “preso político”. Para ela, “o objetivo da prisão é não permitir que Lula seja candidato na eleição deste ano”. Gleisi também convida “a todos e a todas” a se juntarem à campanha pela libertação do ex-presidente, que está na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde 7 de abril.

Olímpio aponta que a senadora “denuncia a todo o ‘mundo árabe’ a situação do preso condenado Luiz Inácio Lula da Silva, e, ao final, convoca para que se unam a eles para que lutem pela liberdade do condenado pela justiça brasileira”.

“Excelência, tal ato é gravíssimo”, escreveu o deputado à procuradora-geral da República, Raquel Dodge. A questão, porém, será decidida pela subprocuradora Raquel Branquinho.

“É válido ressaltar que os países em que é veiculada essa rede televisiva utilizada pela senadora citada e seu partido, alcança regiões em que há concentrações de diversos grupos terroristas, colocando em risco também a segurança nacional do Brasil”, pontuou Olímpio no ofício.

Entre os artigos da lei de Segurança citados pelo deputado está o oitavo, que diz que seria crime “entrar em entendimento ou negociação com governo ou grupo estrangeiro, ou seus agentes, para provocar guerra ou atos de hostilidade contra o Brasil”.

A PGR não divulgou o teor das outras representações nem informou a quantidade de pessoas que pediram o procedimento contra Gleisi. A “notícia de fato” deve ser apreciada em até 30 dias, sendo possível a prorrogação por até mais 90 dias.

Em manifestações posteriores à repercussão do vídeo, Gleisi sustentou que concedeu várias entrevistas com o mesmo teor para emissoras de outros países, como CNN (norte-americana) e BBC (britânica). Ela considera uma ignorância e preconceito em relação ao mundo árabe as críticas que sofreu.

Discussão no Senado

O vídeo de Gleisi foi alvo de troca de acusações no plenário do Senado na quarta-feira (18). A senadora Ana Amélia (PP-RS) disse que a petista teria provocado “atos de hostilidade” contra o Brasil ao pedir apoio para a campanha de libertação do ex-presidente Lula na emissora árabe. A paranaense, em contrapartida, classificou as críticas de Ana Amélia como “xenofobia”.

No plenário, Ana Amélia fez duras críticas ao vídeo da petista, que classificou como grave, e disse que “espera que essa convocação não seja um pedido para o Exército islâmico atuar no Brasil”.

Já Gleisi disse que “o incômodo dessa senadora do Rio Grande do Sul não foi com o conteúdo da minha fala, e sim a emissora com quem falei”. A presidente do PT falou ainda que a indignação de Ana Amélia representa um “desvio de caráter”, fruto de “ignorância, xenofobia e má-fé” com o povo árabe.

Anúncios