Alvo de buscas da PF, general ironiza ação sem fuzis em sua casa: ‘Ah, então eu não sou tão perigoso assim’

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Ainda era madrugada quando Luciana Chagas ouviu alguém bater na porta do apartamento em que mora com o pai e uma avó. Assustada com a chegada de um não esperado visitante aquela hora, por volta das 5h40, ela perguntou quem era. Eram um delegado e três agentes da Polícia Federal, destacados para fazer busca e apreensão de equipamentos eletrônicos do pai dela, o general da reserva Paulo Chagas, ex-candidato do PRP ao governo do Distrito Federal e um fervoroso crítico do Supremo Tribunal Federal (STF) nas redes sociais. O general não estava em casa. Ele viajou para São Paulo para visitar um neto e só deve retornar a Brasília nesta quarta-feira.

Os policiais apresentaram o mandado de busca, assinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e pediram que ela fosse buscar o laptop do pai, uma das “armas” usadas pelo general para disparar ataques a ministros da Corte. Os policiais queriam também o celular do general, mas como o aparelho estava com o dono, em São Paulo, se deram por satisfeitos com o laptop e foram embora. A visita teria se prolongado por, no máximo, 40 minutos. Os policiais não entraram nos quartos e não fizeram revistas em sofás e armários, como costuma acontecer em operações deste tipo.

– Ele só me pediram para buscar o laptop do meu pai. Ficaram um pouco e foram embora – disse Luciana ao GLOBO.

Assim que os policiais apresentaram o mandado de busca, Luciana ligou para o pai. O general perguntou, então, se os policiais portavam fuzis. Quando ouviu um não, respondeu com um comentário irônico.

– Ah, então eu não sou tão perigoso assim – disse, segundo a filha.

Depois disso, o general falou com o delegado, chefe da equipe, por telefone. Chagas teria dito que os policiais poderiam ficar à vontade na casa dele.

O deputado General Peternelli (PSL-SP) criticou a operação da Polícia Federal, executada a partir de um inquérito conduzido por Alexandre de Moraes.

– Vejo com muita preocupação esse contexto de fazer busca e apreensão na casa de uma pessoa que expressou um ponto de vista. A liberdade de expressão é um direito garantido pela Constituição – disse o deputado, que coordenou um movimento por candidaturas de militares nas eleições do ano passado.

AS INFORMAÇÕES SÃO DO JORNAL O GLOBO

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