JOESLEY BATISTA DESCONFIA QUE PODE SER TRAÍDO POR RICARDO SAUD – MÔNICA BERGAMO

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O clima entre os delatores da J&F é de desconfiança. Joesley Batista e seu irmão, Wesley, acreditam que o executivo Ricardo Saud pode traí-los caso a negociação com o Ministério Público Federal para preservar benefícios que obtiveram no acordo de delação premiada naufrague.

POR DENTRO
Há um temor de que Saud dê informações detalhadas ao MPF sobre as discussões internas que envolveram a colaboração do grupo.

DE LONGE
A desconfiança é antiga. Em seu depoimento à PGR (Procuradoria-Geral da República), o advogado da J&F, Francisco de Assis, relata que desde fevereiro, quando a possibilidade de colaborar com a Justiça começou a ser discutida na empresa, suspeitou que Saud “estava pronto para delatar o Joesley”. Assis alertou o chefe.

NA MESMA HORA
A impressão surgiu porque, assim que começaram a falar sobre delação, Saud “já trouxe tudo pronto (…) toda a documentação, inclusive com bilhetes”, diz Assis.

LÍNGUA SOLTA
Executivo de confiança de Joesley, Saud teve desentendimentos na J&F e chegou a se afastar por um período da empresa. Ele costumava falar mal do chefe inclusive com pessoas que depois chegou a delatar.

FOLHA

Desenvolvimento de habilidades emocionais

Muitos de nós, por vezes, na nossa vida ficamos confusos acerca daquilo que sentimos e pensamos, o que nos conduz a uma indefinição comportamental. Temporariamente temos dúvidas acerca de como agir.

Podemos também questionar porque razão nos estamos a sentir de uma determinada forma, ou ainda, porque estamos a ter alguns pensamentos que nada têm a ver com aquilo que gostamos ou pretendemos fazer.

Quando se enfrenta a desmotivação, paralisia da vontade e ausência de prazer em grande parte das nossas atividades, podemos gerar conflitos internos e ver o nosso equilíbrio emocional afetado negativamente.

Mas, porque razão isso nos acontece? Porque ficamos atrapalhados com os nossos sentimentos e pensamentos? Porque razão aquilo que sentimos e pensamos, por vezes nos causa tanto mal-estar?

Certamente, uma das razões, é uma consciência emocional pouco desenvolvida. Quando não temos noção do que estamos a sentir, e porque estamos a sentir uma determinada emoção, a tendência é para que possamos agir em automático, em reação, sem a autoridade da nossa consciência. E, por vezes quando agimos por impulso, sem consciência do impacto e da influência que as emoções e pensamentos têm na nossa forma de agir, prejudicamo-nos.

Para que possamos aumentar a nossa consciência emocional e passar a agir em consonância com os nossos objetivos, valores e significado de vida, importa validar as nossas emoções e pensamentos.

Proponho um exercício para desenvolver a sua consciência emocional e o que fazer para aplicar a autovalidação?

Fique com as suas emoções e observe-as

Estar ciente e observar as suas emoções, sem rejeitá-las ou evitá-las é extremamente importante para conseguir fazer uma leitura clara acerca do que se está a passar com você, momento a momento. Estar presente significa também não se dissociar, alienar, suprimir ou entorpecer as suas emoções. Estar presente, significa ouvir a si mesmo.

Na presença de sentimentos de dor emocional, tristeza, apatia, é mais desafiador e difícil ficar presente e observar a experiência que decorre em nós. No entanto, evitar sentir determinadas emoções conduz-nos a consequências que podem ser bastante negativas, ao passo que aceitar sentir as emoções permite que você possa diminuir a intensidade das mesmas, ajudando dessa forma a construir resiliência.

Estar presente para si mesmo valida o quão importante você é para si mesmo e que tem força para suportar os seus sentimentos, mesmo os mais incómodos.

Reflita, tentando perceber o que as emoções transmitem

Tente reconhecer o seu estado interno para si mesmo. Talvez você reflita sobre o que provocou a emoção, quando foi provocada e qual o impacto que teve nas suas crenças e comportamentos. Reflita sobre as maneiras de sentir a emoção no seu corpo e considere que ações sofrem influência com a emoção sentida. Refletir, significa observar e descrever, usando os cinco sentidos para recolher informação.

Quando você observa e descreve a sua experiência interna, não interpreta, não adivinha, nem faz suposições. Você diria: ”Sinto raiva e começou ontem, depois do meu amigo ter cancelado o jantar. Sinto um aperto no meu peito, então talvez seja desilusão também.” Ao invés, dizer: “Eu sou um perdedor e ninguém quer passar tempo comigo“, não estaria indicando os fatos da sua experiência.

Para indicar e clarificar os fatos da sua experiência é preciso aplicar o processo de validação das suas emoções e sentimentos, ajudando assim a construir confiança na sua experiência interna. É importante que não personalize de imediato os seus sentimentos e pensamentos, ao invés, descreva-os, e tente perceber do seu ponto de vista o que está realmente acontecendo.

Evite ao máximo fazer avaliações depreciativas, tentando perceber o sentimento despoletado, sem fazer avaliações construídas em pressupostos “errados”.

Não deduza o seu estado interno, analise-o

Às vezes, você não vai ter a certeza do que está pensando ou sentindo. Nessas situações, pode ser útil dizer algo como: “Se alguns dos meus amigos estivessem nesta situação, provavelmente iriam sentir-se tristes. Estou triste?“ Você também pode tentar ficar ciente que ações pretende realizar na presença de determinados sentimentos e pensamentos.

Perante sensações desagradáveis, tente observar onde você sente as sensações no corpo, por exemplo, o medo é muitas vezes sentido como uma sensação de nó na garganta ou borboletas no estômago. Se você está sentindo medo, talvez esteja também a ter pensamentos assustadores. Sabendo quando o local no seu corpo onde se manifestam as suas emoções, fica mais fácil perceber que pensamentos estão a surgir na sua mente associados a essas mesmas emoções.

A partir deste estado de observação, é possível reduzir o incómodo sentido no corpo, e consequentemente induzir pensamentos mais ajustados à situação que tem de lidar. Ou seja, ao identificar o incómodo sentido no seu corpo em forma de emoção, você pode, por exemplo, utilizar a descontração fisiológica para diminuir a sua ansiedade ou agitação motora, ficando assim num estado melhor para induzir em si mesmo um estado de ser mais capacitador e ajustado aos seus objetivos de momento.

Você não tem necessariamente basear as suas ações nas suas emoções, principalmente quando estas o estão conduzindo a uma forma imprópria de comportamento.

Não se limite a reagir, contextualize os seus comportamentos

Às vezes, você vai ter pensamentos e sentimentos que são baseados em eventos que aconteceram no passado. Talvez você esteja desmotivado no seu relacionamento, porque tem vindo a ter experiências onde saiu prejudicado e magoado. É importante validar o que você está sentido e consequentemente o que está pensando. Por exemplo, para validar a sua experiência de momento, poderia dizer algo do género: “É aceitável e compreensível que eu me sinta desmotivado, porque o meu relacionamento tem vindo a ser uma tortura emocional.”

Ao validar os seus sentimentos e pensamentos com base nas suas experiências passadas ou nas suas feridas emocionais, isso permite que você possa fazer uma análise mais adequada no momento presente, e perceber que pode tentar regular a sua desmotivação, e agir em consonância com a situação atual. Ou seja, você não se limita a reagir às suas emoções, mas acrescenta um entendimento e aceitação do que sente, para que possa tomar uma decisão não condicionada pelas experiências passadas, mas de acordo com os seus objetivos do momento, saindo beneficiado.

Genuidade sentimental

Em termos de autovalidação, isso significa ser o seu verdadeiro eu e não mentir para si mesmo. Isso significa que você não rejeita aquilo que sente. Você pode não gostar do que está sentido, ou aquilo que sente não fazer sentido para você, ou ainda pretender sentir-se de forma diferente. Uma distinção importante é que, aquilo que você sente num determinado momento, é diferente do que você faz. Você não é o seu sentimento, ou ausência de vontade. Então você pode sentir algo que não gosta, aceitar isso, mas não agir de acordo com o sentimento que você identifica como menos bom.

A Autovalidação é uma das etapas fundamentais para viver de forma harmoniosa as suas emoções intensas. Para nos relacionarmos de forma saudável conosco mesmo e com os outros, importa entendermos e validarmos os nossos sentimentos, pensamentos e ações.

Atenção, validar não quer dizer dar razão a tudo o que sentimos ou pensamos, nada disso. A Autovalidação é a soma da compreensão do porquê de sentirmos e pensarmos de uma determinada forma, com a autoaceitação das experiências internas.

No entanto, nem sempre temos de seguir aquilo que sentimos ou pensamos. No processo de validação, nós podemos “descartar” ou “vetar” alguns dos nossos sentimentos e pensamentos, porque não se justificam ou porque já não fazem mais sentido na atualidade. Ficando numa posição favorável para decidir o que fazer de acordo com os resultados que pretendemos obter.

Sentir-se desesperançado, não é ser-se desesperançado. Desenvolver habilidades emocionais aprendendo a perceber as suas emoções é um passo importante para a melhoria do seu estado deprimido. Um programa eficaz de tratamento da depressão beneficia da implementação de técnicas que possam aumentar a consciência emocional da pessoa.

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