Para PF, empresa de coronel atendia demandas de Temer, diz jornal

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A Argeplan, empresa do coronel João Baptista Lima Filho, estava à disposição para “demandas da vida pública e privada” do presidente Michel Temer, segundo um relatório da Polícia Federal entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) e obtido pelo jornal Folha de S.Paulo.

O relatório, assinado pelo delegado Cleyber Malta Lopes, afirma que “os elementos colhidos indicam que a Argeplan e sua estrutura financeira e funcional por diversas vezes foi colocada em atendimentos de demandas da vida pública e privada do excelentíssimo presidente Temer”.

O documento integra o pedido que a PF fez para prorrogar as investigações contra Temer por mais 60 dias, que foi autorizado pelo ministro Luís Roberto Barroso.

A investigação apura se Temer recebeu propina para editar o decreto dos portos, por meio da empresa de seu amigo, o coronel João Baptista Lima Filho, em troca dos benefícios concendidos a empresas que atuam no porto de Santos.

Segundo a Folha, o delegado afirma no relatório que “de forma paralela aos vários contratos e vínculos suspeitos com o setor portuário, temos que as buscas e apreensões e demais elementos trazidos aos autos também demonstraram dezenas de ligações da empresa Argeplan, seus sócios e outras empresas interligadas, diretamente com a vida política e privada do senhor Michel Temer”.

Uma das principais “pistas” dos investigadores é a reforma na casa de Maristela Temer, filha do presidente, na qual a Argeplan estaria envolvida.

Enquanto Maristela afirma ter gastado 700 mil reais com a obra, os fornecedores avaliam os custos em pelo menos 1,3 milhão de reais.

Para a PF, o dinheiro das obras da casa de Maristela são a JBS e uma outra empresa, contratada pela Engevix.

Em delação, executivos da JBS afirmaram ter repassado 1 milhão a Temer, por meio do coronel, em 2014.

“Importante notar que o período da obra abrange o ano de 2014, mesmo ano em que os colaboradores da J&F/GRUPO ELDORADO, Joesley e Saud alegam que entregaram 01 milhão de reais, em ‘dinheiro vivo’, sede da Argeplan, diretamente para João Batista Lima Filho, fato que vem ganhando maior relevância, sobretudo após análise de material apreendido na sede da empresa, além da suspeita de recebimento de outros valores no mesmo período”, diz ainda o relatório.

Exame.com

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