“Praticamente todos os marqueteiros faziam caixa 2”, diz João Santana

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Os ex-marqueteiros do PT João Santana e Mônica Moura prestaram depoimento nesta sexta-feira ao juiz Sérgio Moro. As declarações foram dadas em um processo que investiga o funcionamento do Setor de Propinas da empreiteira Odebrecht.

Os procuradores responsáveis pelo caso afirmam que o “departamento de propinas” era utilizado para ocultar a origem dos valores e os destinatários de repasses ilícitos. No depoimento, João Santana afirmou que ele não era o único marqueteiro que recebia pagamentos via caixa dois.

“O caixa dois era uma prática institucionalizada e virou uma espécie cultural, um esdrúxulo absurdo de direito consuetudinário, que, na política brasileira e de vários países latino-americanos sempre existiu”, disse o marqueteiro do PT em depoimento.

“Então vinha como caixa dois de pagamento de serviços adicionais, como praticamente todos os marqueteiros faziam”, afirmou ainda Santana. “Praticamente todos os marqueteiros faziam e acho que dificilmente tenha acabado, mesmo com toda essa ação da Lava Jato. Não tenho conhecimento real, mas acho que uma coisa entranhada tão fortemente do ponto de vista cultural, isso de uma hora para a outra possa ser suspenso”, declarou.

João Santana também disse que, para ele, nem mesmo a operação Lava Jato vai conseguir acabar com o uso de caixa dois para financiar campanhas.

A esposa dele, Mônica Moura, declarou que não imaginava que o esquema tinha as proporções que foram reveladas. Assista!

“O que eu imaginava, óbvio, é que tinha alguma falcatrua, lógico. Ninguém vai ficar dando tanto dinheiro e colaborando com a campanha, que é uma coisa cara, pelos belos olhos de ninguém”, disse Mônica. “Imaginei que eles tinham negociatas, mas sempre imaginei que envolvia o superfaturamento de obras e daí a empreiteira tiraria o valor. Mas nunca, em momento algum, imaginei um esquema como esse. Nunca soube disso”, depôs.

Mônica Moura disse que a prática não era exclusiva do PT e que também era adotada por outros partidos.

O casal fechou acordo de delação premiada com a Justiça e já prestou outros depoimentos relatando o recebimento de recursos via caixa dois nas campanhas eleitoras.

Além dos marqueteiros, foram ouvidos dois operadores financeiros que também são réus no processo.

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto também responde à mesma ação, mas se negou a participar da audiência desta sexta-feira.

Eles são acusados pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Com informações de Afonso Marangoni ao Jornal da Manhã

 

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